QUE GOATOSA É UMA AULA NA FEIRA!!! APRENDIZAGENS COMPARTILHADAS NA
PEDAGOGIA FREINET EM PASSEIO À FEIRA LIVRE.
Ana Paula Rodrigues Medeiros, Tatiane Ribeiro Resende
Por em Prática a Pedagogia Freinet é disponibilizar aos alunos um espaço para a livre expressão, a criatividade, a cooperação e a alegria de aprender. O professor deve proporcionar um ambiente de confiança para que o conhecimento se dê através da troca de experiências. Freinet prioriza o contato com a natureza, o trabalho em grupo e as responsabilidades de cada um, as aulas-passeio constituem-se instrumento fundamental na realização desse trabalho.
Trabalhar com a Pedagogia Freinet na escola Pública é estar constantemente refletindo sobre as saídas possíveis em meio ás turbulências das greves, paralisações, falta de material pedagógico e precariedade das escolas públicas. Freinet construiu boa parte de sua Pedagogia em ambientes penosos, difíceis e ainda assim desenvolveu uma pedagogia admirável. Esse é o sonho que perseguimos: ensinar e aprender, em meio às adversidades. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Luciana de Araújo, localiza-se no Centro da Cidade, numa área limítrofe entre a periferia e o centro.A própria idéia de Centro hoje pode ser questionada. Cada grande localidade tem suas praças, suas igrejas, templos e congregações, há moradores de diferentes frações sociais, como visinhos. Esse formato urbano das cidades grandes e medias nos leva a reinventar nossos conceitos e conhecimentos em torno do estudo do meio.
Na segunda série do Ensino Fundamental, vários conhecimentos podem ser despertados, a partir de um passeio ou de uma aula-passeio que vem sendo realizado desde mil novecentos e noventa. Estas aulas justificam-se fundamentalmente pela preocupação que a professora tem com a familiarização das crianças em relação à história da localidade onde convivem, bem como, trazer um significado e uma aplicação prática aos conhecimentos lógico-matemáticos.
Além de um passeio à Feira, pode ser realizada uma aula em um Muzeu de Arte, em uma Praça da cidade e trabalhar Artes Visuais, Geografia, Matemática, Língua Portuguesa, Redação, entre outras disciplinas.
Este trabalho vem mostrando vários caminhos para tecer aprendizagens significativas e tornar plurais os conhecimentos tomados pela Escola como prescritivos, homogeneizados e sem a marca da autoria pautada por Celéstin FREINET. Então os principais objetivos estão relacionados a: -Compreender a vida “real” e sua relação com os Conteúdos Escolares; -Aprender na prática o que se estuda na teoria; -Desenvolver a sociabilidade, a criatividade e o interesse pela Matemática; -Reconstruir um pouco da história referente aos locais que percorremos até chegar à Feira, bem como, o cenário onde realmente se efetivam fatos inusitados e a real aprendizagem. Para colocar em prática as idéias, primeiramente professora e alunos conversam e organizam um planejamento de como deverá ser o passeio.è através do planejamento que as crianças põem suas idéias em ordem pensando em como deverá ser desde a saída da Escola até seu retorno a ela e quais os pontos importantes a serem observados. É necessário estar atento para perceber as informações que o meio oferece.
Ao tomarem decisões, todos pontos de vista são levados em consideração até chegar em um ponto comum. A motivação dos estudantes é tamanha que contam os dias no calendário, perguntam se podem antecipar o passeio, a euforia é geral..., mas é claro que é preciso um momento reservado à preparação, ou seja, “alinhavar” tudo aquilo que vai ser necessário: o material(lápis, borracha, caderno, planilha para anotar os produtos e preços), dinheiro par fazer as compras(estipulado que cada um deveria levar entre R$ 0,50 eR$ 1,00), quem vai acompanhar(mães, monitora ou alguma outra professora). A experiência exige muita, mas muita conversa, para chegarem à compreensão de que todo o trajeto até a Feira vai transformando-se em conhecimento, à medida que vai ganhando significado para o grupo.
Realizando um pequeno trajeto pelas redondezas da Escola até chegar à Feira vão conversando e anotando. Criam duas colunas para anotar números pares e ímpares que observavam comparavam moradias (tentando compreender diferenças entre casa de alvenaria, madeira, prédio, apartamento, sobrado...), visitando as casas dos colegas pólas quais passavam, falando sobre as plantas, os animais, o lixo, dentre outras coisas que falavam. Ao chegarem à Feira, combinavam de andar todos juntos, passando de banca em banca, pesquisando preços, aprendendo sobre medidas de massa, capacidade, revendo conceitos sobre dúzia, meia dúzia, quilo, meio quilo...Quando terminavam o percurso, reuniam-se e tomavam decisões para definir: onde comprar mais barato, qual a qualidade e aparência dos produtos. A seguir realizavam as compras, nos locais mais adequados e retornavam à Escola. A cada turma, sem dúvida, o “Passeio à Feira” se enriquece e se amplia. Em dois mil e seis foram à Feira que se localiza na Rua Carlos Zanotta, fizeram anotações, desenharam, escreveram textos, criaram problemas matemáticos, fizeram localizações no Bairro, entre tantos outros trabalhos. Segundo Freinet, o interesse das crianças está na rua e esse trabalho confirma tal afirmativa.
Também existe o papel dos feirantes que sempre colaboram com seus conhecimento e experiências (doam algumas frutas, ajudam as crianças com o troco, inventam problemas para as crianças responderem... ”é muito legal” –como dizem as crianças), enriquecendo aquilo que parece morto, ou tratado como cadáver do conhecimento pela educação bancária. O passeio ganha mais vida porque as pessoas ficam surpresas ao verem as crianças fazendo compras. Este ano teve um senhor que andou atrás da turma o tempo inteiro encantado e uma senhora que gritava: “-Quero ser aluna dessa professora!!!” Ao retornarem para a sala de aula fazem uma salada de frutas (é isso mesmo, são as crianças que vão descascar, cortar as frutas e literalmente fazer a salada). È possível realizar um trabalho simples, mas permeado de organização coletiva e pedagógica, intercâmbio de saberes e aprofundamento de conteúdos, tal como preconizou e realizou Celestin Freinet.
Aprender a fazer anotações e registros escritos é aprender a língua escrita em movimento.A aula-passeio à feira prevê trabalhos com a Escrita desde o planejamento: O que vão fazer na Feira? O que vão observar durante o trajeto? Por quê? Vão fazer compras? De que precisam para fazer salada de frutas? Quanto tem em dinheiro? Escrever, nessa experiência, é reconhecer a função social da escrita em nossas vidas: como, porque e quando usamos a escrita? Sem grandes discursos sobre o tema, mas vivenciando esse e outros caminhos que a escrita perfaz em nosso cotidiano, vamos aprendendo, com as crianças. Essa é uma aula exemplar de Língua Portuguesa integrada a outros campos do conhecimento.
Aprender a fazer anotações e registros escritos é aprender a língua escrita em movimento.A aula-passeio à feira prevê trabalhos com a Escrita desde o planejamento: O que vão fazer na Feira? O que vão observar durante o trajeto? Por quê? Vão fazer compras? De que precisam para fazer salada de frutas? Quanto tem em dinheiro? Escrever, nessa experiência, é reconhecer a função social da escrita em nossas vidas: como, porque e quando usamos a escrita? Sem grandes discursos sobre o tema, mas vivenciando esse e outros caminhos que a escrita perfaz em nosso cotidiano, vamos aprendendo, com as crianças. Essa é uma aula exemplar de Língua Portuguesa integrada a outros campos do conhecimento.
As particularidades de cada aluno, suas maneiras muito próprias de aprender têm espaço nesse tipo de proposta, porque as anotações, embora respeitem a um roteiro prévio, não possuem respostas únicas e prontas. A aula-passeio também favorece as aprendizagens com outros agentes, não apenas professores e crianças, nesse caso específico, os feirantes ou as pessoas da comunidade que estão comprando na feira também interagem com as crianças produzindo saberes imprevisíveis no planejamento. A imprevisibilidade de resultados é uma característica marcante dos trabalhos com a Pedagogia Freinet, porque o tateamento experimental como princípio pedagógico muda as rotas das aulas e conteúdos estritamente pensados pelas professoras ou pelos livros didáticos.
A boa organização da proposta (planejamento participativo) gera uma boa organização do trabalho: as crianças aprendem na ação e podem avaliar os resultados, pois estiveram desde a origem da proposta, envolvidas nas tarefas.
Aprender de forma coletiva não ensina apenas os conteúdos, tradicionalmente tomados como importantes ela Escola, mas ultrapassa maneiras de pensar para chegar ao exercício da cidadania, da autonomia e da vida coletiva. Esse movimento entre os momentos coletivos e as aprendizagens individuais seria a grande contribuição que o trabalho cooperativo tem nas classes Freinet. Esses momentos também são inquestionáveis e tendem a marcar as aprendizagens.
Aprender de forma coletiva não ensina apenas os conteúdos, tradicionalmente tomados como importantes ela Escola, mas ultrapassa maneiras de pensar para chegar ao exercício da cidadania, da autonomia e da vida coletiva. Esse movimento entre os momentos coletivos e as aprendizagens individuais seria a grande contribuição que o trabalho cooperativo tem nas classes Freinet. Esses momentos também são inquestionáveis e tendem a marcar as aprendizagens.
A comida é parte de uma aprendizagem cultural. Todos os povos têm suas tradições, festas e maneiras de comer. È interessante também à aprendizagem dos sabores novos, a partir da mistura do doce, amargo, ácido, picante. Além disso, as crianças aprendem cores, partes da fruta e depois... Deliciar o resultado é demais, não?
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